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Por Redação Marie Claire — São Paulo
05/12/2023 12h57 Atualizado 05/12/2023
Entre os anos de 2011 e 2023,🎅 49 mil mulheres foram assassinadas no Brasil – sendo que, só em 2023, o Ministério da Saúde registrou 3.858 homicídios.🎅 É o que aponta o Atlas da Violência 2023, divulgado nesta terça-feira (5) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP)🎅 e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O levantamento reforça que 67,4% das vítimas são mulheres negras (pretas e🎅 pardas), e demonstra que elas têm 1,8 mais riscos de sofrerem homicídio, se comparado com as mulheres não negras (no🎅 relatório, inclui brancas, amarelas e indígenas).
O novo Atlas também busca jogar luz sobre o aumento do índice de assassinato de🎅 mulheres em meio a pandemia de covid-19: entre 2023 e 2023, período mais crítico, foram 7.691 assassinadas. O período pandêmico🎅 intensificou os índices por reduzir acesso a serviços de apoio, aumentar tempo de convivência da vítima com agressor e diminuir🎅 autonomia financeira.
Outras duas hipóteses envolvem a gestão do governo Bolsonaro: a redução em 94% da proposta orçamentária de combate à🎅 violência de gênero, calculada pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), e o incentivo do ex-presidente ao radicalismo político, "com o🎅 recrudescimento do conservadorismo, que reforça os valores do patriarcado”, podem ter contribuído para essa elevação.
De acordo com o relatório, enquanto🎅 a taxa geral de homicídios caiu 4,8% entre os dois anos, o homicídio de mulheres registrou crescimento de 0,3%, confirmando🎅 uma tendência de crescimento da violência letal contra mulheres apontada em 2023.
Subnotificação
O relatório aponta ainda que, por mais que os🎅 dados existam, os índices de subnotificação e de desconhecimento sobre violência de gênero no Brasil continuam altos: a taxa de🎅 homicídios de mulheres estimada é 0,7 ponto percentual maior do que a taxa de homicídio de mulheres realmente registrada.
Portanto, o🎅 Atlas aponta que o total das mortes violentas é, na verdade, de 4.603 mulheres assassinadas; ou seja, 745 a mais🎅 do que o registrado oficialmente, mas que foram computadas de maneira incorreta.
"Nunca houve interesse dos governos em produzir, no plano🎅 nacional, uma pesquisa domiciliar com metodologia robusta, com amostragem aleatória e os necessários requisitos metodológicos para que as entrevistadas pudessem🎅 reportar verdadeiramente os fatos sobre esse tema tão delicado. Assim, o Estado termina enxergando apenas uma pequena parte do iceberg🎅 da violência contra a mulher no Brasil", destaca o relatório.
Mulheres negras são as principais vítimas
A taxa de assassinato de mulheres🎅 negras é de aproximadamente 4,3 para cada 100 mil, 45% maior do que o índice de mulheres não negras, que🎅 fica entre 2,4 por 100 mil. Em estados como Rio Grande do Norte, Sergipe e Ceará, o risco de homicídio🎅 é três vezes maior para as mulheres negras.
O levantamento destaca que, entre 2023 e 2023, houve uma queda de 2,8%🎅 do assassinato de mulheres não negras, enquanto que, para as mulheres negras, foi registrado aumento de 0,5%. Os números ficam🎅 mais gritantes ao comparar 2011 e 2023: houve queda mais acentuada no assassinato de mulheres não negras (de 25,1%) se🎅 comparadas às mulheres negras (18,8%) Ao comparar
“As desigualdades raciais, assim, são aprofundadas quando se trata da violência letal contra as🎅 mulheres”, aponta o Atlas. “Portanto, a despeito do cenário geral de retração da queda de homicídios de mulheres, esse movimento🎅 foi mais intenso para as mulheres não negras, fazendo aumentar ainda mais a desigualdade racial na letalidade das mulheres em🎅 nosso país.”
Assassinatos de mulheres em estados brasileiros
Entre 2023 e 2023, 14 estados brasileiras tiveram crescimento na taxa de assassinato de🎅 mulheres, sendo Amazonas o que mais registrou aumento (48,2%). O estado é seguido por Piauí (27,7%) e Espírito Santo (22,7%).
Mesmo🎅 com uma redução de 41%, Roraima continua sendo a unidade federativa que mais registra homicídio de mulheres: em 2023, registrou🎅 uma taxa de 7,4 mulheres mortas a cada 100 mil, seguido de Ceará (7,1) e Acre (6,4).
O estado que registrou🎅 a menor taxa de homicídio de mulheres foi São Paulo: 1,5 morte para 100 mil mulheres. Em seguida vem Minas🎅 Gerais (2,3), Santa Catarina (2,5) e Distrito Federal (2,6).
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Atlas da Violência 2023 aponta para crescimento de assassinato de mulheres no Brasil e🎅 destrincha índices registrados na pandemia, que intensificaram por falta de medidas do governo Bolsonaro. Mulheres negras têm 1,8 mais riscos🎅 de sofrerem homicídio, enquanto há queda entre as não negras
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